Fernando Oly

uma horta no deserto, da pleyon

30/01/2012
A banda Pleyon, desta vez, teve um só músico: eu mesmo. Não porque foi uma exaltação do ego, mas sim, pelo próprio desenvolvimento da idéia que começou com um tema no teclado e foi ganhando novos elementos a cada dia que "escutava" as cores ali já pinceladas.

Foi um sonho que se tornou realidade ao partir de um motivo composto em uma fase mais instrumental e que ganhou vida com novas idéias de arranjo e instrumentação. Foi um trabalho solitário que requereu muita dedicação e concentração.

Foi também o desejo intenso que criar algo assim como uma horta verde, aprazível e refrescante nesse deserto de perspectivas que limita a criação artística humana nessa atual corrida mundial de São Cipreste, isto é: para lugar nenhum.

É também uma trilha de um filme que nunca será feito por Hollywood ou será tema de novela, uma mistura de sons orientais e ocidentais, em uma miscigenação de sons e nuances que contém a herança de vários povos que nos deram toda a riqueza de escolha que hoje temos.

Há, por outro lado, o elo desta música com a minha ida à Argentina para participar do Encontro do 11/11/2011, sentindo ali que estávamos semeando uma horta nesta aridez afetiva que assola o tempo presente, experimentando o sentimento da criação de uma nova civilização com base no respeito e tolerância.

Registro, ainda, que em algumas partes harmônicas da música senti a presença inspiradora do amigo Toninho Horta, músico mineiro, compositor e instrumentista genial e, nesta oportunidade, presto-lhe esta esta singela homenagem.